Enquanto o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, visita a China de 10 a 14 de maio, um especialista brasileiro disse que o aprofundamento da parceria entre Brasil e China fornece uma âncora de estabilidade muito necessária em meio às tensões comerciais globais alimentadas pelos Estados Unidos, falando ao GDToday em uma entrevista on-line do Rio de Janeiro em 13 de maio.
“Quando um país cria obstáculos, constrói muros ou inicia guerras comerciais, a América Latina busca parcerias estáveis e respeitosas”, disse Henrique Couto Nóbrega, presidente da Associação de Amizade Brasil-China. “A China oferece previsibilidade e compromissos de longo prazo. Respeita o desenvolvimento do Brasil e se engaja através do diálogo.”
A viagem de cinco dias de Lula é sua segunda visita de Estado à China desde que assumiu o cargo em 2023 e sua terceira reunião com o presidente chinês, Xi Jinping. Acompanhada por uma delegação de quase 200 líderes empresariais, a visita de Lula reflete o fortalecimento dos laços entre as maiores economias em desenvolvimento nos hemisférios Oriental e Ocidental.
Nóbrega enfatizou que a relação não é apenas sobre comércio. “O Brasil e a China estão trabalhando juntos não apenas para benefícios econômicos mútuos, mas também para metas globais como ação climática, multilateralismo e crescimento inclusivo”, disse ele. “Para o Brasil, significa alinhar-se com um parceiro que apóie nossas prioridades de desenvolvimento e respeite nossa soberania.”
Um dos principais focos de cooperação é o Corredor Bioceânico Brasil-Peru —, um ambicioso projeto de infraestrutura com o objetivo de criar uma rota direta do Brasil para os mercados do Pacífico e da Ásia. Em abril, uma delegação chinesa realizou um estudo de viabilidade sobre o corredor, que atravessaria quatro estados brasileiros e se conectaria ao Porto Chancay do Peru por estradas, ferrovias e hidrovias. Uma vez concluído, o projeto poderia encurtar a rota comercial do Brasil para a China em até 10.000 quilômetros.
Além da infraestrutura, o Brasil também está buscando expandir a cooperação com a China em áreas como energia limpa, educação e saúde. “Esperamos resultados concretos desta visita, incluindo acordos em setores-chave”, disse Nóbrega.
O Brasil foi o primeiro país a estabelecer uma parceria estratégica com a China, posteriormente atualizando-a para uma parceria estratégica abrangente. Em novembro de 2024, as duas nações deram mais um passo à frente, elevando seus laços com uma comunidade com um futuro compartilhado para um mundo mais justo e um planeta mais sustentável.
A visita de Lula coincide com a 4a reunião ministerial do Fórum China-Comunidade dos Estados Latino-Americanos e do Caribe (CELAC), marcando uma década de crescentes laços entre a China e a América Latina. Hoje, a China é o segundo maior parceiro comercial da região e uma importante fonte de investimento.
Para o Brasil, o fortalecimento dos laços com a China oferece um caminho para uma maior resiliência econômica. “Não se trata de tomar partido. Trata-se de diversificar as opções”, disse Nóbrega. “Juntos, a China e o Brasil podem ajudar a moldar um mundo mais justo e equilibrado.”
Repórter | Liu Xiaodi
Texto | Liu Xiaodi
Editor de vídeo | Liang Zijian
Script vídeo | Liu Xiaodi, Ouyang Zixuan (interna)
Câmera | Liu Xiaodi
Voz | Liu Xiaodi
Designer de capas | Cai Junru
Editor |Yuan Zixiang, James, Shen He
